*Por Tássia Biazon

 

A maior baía costeira do Brasil, situada no Estado da Bahia, é protagonista na série Baía de Todos os Santos, que centraliza muitas informações científicas dessa localidade, traduzidas em linguagem acessível aos estudantes, técnicos e tomadores de decisão, e até mesmo ao público em geral, interessados na região.

 

 

 Foto: Projeto BTS

 

A série, que teve seu terceiro livro publicado em 2018, é um desdobramento do Projeto Multidisciplinar Baía de Todos os Santos (Projeto BTS), iniciado em 2008 e delineado para durar 30 anos. O primeiro livro, intitulado Baía de Todos os Santos: aspectos oceanográficos, lançado em 2009, forneceu subsídios para o entendimento da oceanografia regional. “Ele é uma síntese das informações publicadas na literatura e obtidas por meio de relatórios diversos”, conta Vanessa Hatje, oceanógrafa, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e organizadora do livro. A obra apresenta os resultados que subsidiaram a equipe do Projeto a fazer um diagnóstico de vários aspectos associados à oceanografia da Baía, incluindo contaminação, produção pesqueira, geologia e hidrodinâmica. “Este livro propiciou o embasamento científico para a interpretação da situação da Baía na época e para o planejamento de futuros projetos de pesquisa e ações gerenciais, que promovessem a recuperação e a preservação dos ecossistemas da região”, complementa Vanessa.

O segundo livro, intitulado Baía de todos os Santos: aspectos humanos, lançado em 2011, apresenta um panorama histórico, antropológico, econômico e cultural da Baía, incluindo a região do Recôncavo Baiano. Com enfoque nos aspectos humanos, a publicação aborda dimensões da vida social, história, desenvolvimento econômico, religião e cultura da Baía. “A intenção da leitura é desencadear e fundamentar novas interpretações sobre a região, que representa um variado complexo de culturas que exigem urgente formulação de políticas públicas”, acrescenta a oceanógrafa.

O terceiro livro, Baía de Todos os Santos: avanços nos estudos de longo prazo, marca os dez anos de Projeto, ou seja, as duas primeiras “ondas”. Publicado em 2018, o terceiro volume faz uma análise crítica sobre redes induzidas de pesquisas, utilizando a experiência dos primeiros dez anos do Projeto como estudo de caso, além de apresentar os resultados mais recentes em assuntos de interesse dos órgãos de fomento e gestão, como contaminação e introdução de espécies exóticas. “Nesse volume, também discutimos uma agenda de pesquisa para os próximos dez anos, a partir de consultas a pesquisadores e moradores das comunidades do entorno", relata Vanessa, que está entre os organizadores da obra.

 

 

Esta terceira publicação contou com a colaboração de 31 autores, incluindo pesquisadores e alunos de pós-graduação, e o tempo de execução foi de cerca de dois anos. Com sete capítulos, o livro permite ao leitor conhecer alguns dos resultados das pesquisas realizadas no âmbito do Projeto nos últimos anos, além de “navegar” por diversos temas sobre a região, como questões socioambientais, vulnerabilidades das populações e desafios futuros para a avaliação da qualidade dos ecossistemas marinhos da Baía.

A pesquisadora Vanessa Hatje destaca o primeiro e o último capítulo da obra. No primeiro, é apresentada uma análise crítica sobre as redes induzidas de pesquisa que participaram do Projeto. Indica desafios bem específicos do projeto, por conta da sua natureza multidisciplinar, longo prazo e adoção de uma abordagem acolhedora, na qual são incentivadas ações não apenas de pesquisa, mas também de extensão, inovação e educação por diversas instituições públicas do estado. “Tentamos reportar esta complexidade do projeto e a experiência da equipe, discutindo a rede de pesquisa, como social e comunitária”, relata Vanessa. Outro capítulo de particular interesse é o último, o qual aborda o panorama das questões socioambientais da Baía, de modo a propor uma agenda de pesquisa para os próximos dez anos, que se dará junto aos pesquisadores e às comunidades de municípios do Recôncavo Baiano sobre os principais problemas que afetam ou afetarão a Baía.

 

 Foto: Adriano Oliveira

 

A série é pioneira e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). “Além dos livros, outros produtos originados pelo Projeto podem ser encontrados no portal do Instituto Kirimurê, incluindo um livro sobre a culinária regional, materiais didáticos, fotos e áudio visuais”, diz Francisco Barros, oceanógrafo, professor da UFBA e um dos colaboradores da série.

Os livros já são referência, pois sintetizam informações sobre a Baía de Todos os Santos, um sistema costeiro extremamente importante, em diversos aspectos, como sociais, econômicos, culturais e ambientais. “Certamente teremos mais livros no decorrer dos próximos anos. O Projeto foi planejado para ter a duração de 30 anos. Chegamos na primeira década e os livros são marcos importantes na difusão dos conhecimentos que estão sendo gerados pelo Projeto, pois atingem um público diferente das publicações científicas”, analisa Francisco.

E quais serão as próximas “ondas a surfar”? A terceira “onda”, ou os próximos cinco anos do Projeto, começa com uma defasagem de recursos em relação aos anos anteriores. No entanto, está previsto um estudo de “Blue Carbon” em sistemas costeiros vegetados, além da continuidade de algumas ações de monitoramento de longo prazo. Por meio de editais de fomento, ainda em avaliação, a equipe espera obter recursos para a pesquisa e ampliar a atuação do Projeto. “Estamos planejando um quarto livro, que não necessariamente será uma continuação da série em termos de conteúdo e público-alvo, mas certamente será um instrumento importante de divulgação científica”, finaliza Vanessa.

 

Clique aqui para acessar o site do Instituto Kirimurê, ondea versão digital da obra poderá ser baixada. 

 

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