* Por Tássia Biazon

Os ecossistemas marinhos e costeiros estão hoje ameaçados pela atividade humana, com consequências locais, regionais e globais. Entretanto, o conhecimento da população sobre esses ambientes é muito baixo, o que prejudica uma concepção crítica sobre as questões ambientais e as decisões acerca delas. Um dos instrumentos para enfrentar essa realidade é a educação ambiental. Nesta perspectiva, o Grupo de Trabalho Educação Ambiental da Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (GT – EA/ReBentos), publicou, pela Springer, o volume "Coastal and Marine Environmental Education" (Natalia Pirani Ghilardi-Lopes e Flavio Augusto de Souza Berchez, eds.), a fim de dar suporte às ações de Educação Ambiental (EA) em todos os níveis, desde a educação formal até a elaboração de políticas públicas. Esse livro é o segundo volume da série “Brazilian Marine Biodiversity”, organizado pelo Prof. Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico da USP, coordenador geral da ReBentos.

“A EA é um processo importante, que objetiva promover conhecimento, sensibilização, conscientização e habilidades relacionadas às questões socioambientais, o que pode levar à motivação e comprometimento dos cidadãos que moram em regiões costeiras, bem como daqueles que moram longe do oceano, mas que entendem que as ações humanas podem sim impactar o oceano”, diz Natalia Pirani Ghilardi Lopes, professora da Universidade Federal do ABC e co-organizadora da obra. “Dessa forma, a EA pode influenciar as atitudes dos cidadãos, promovendo ações que ajudam a alcançar mudanças positivas no meio ambiente”, analisa.

 

 

No primeiro capítulo do livro são abordados os 12 princípios da EA e como eles podem ser aplicados em ações relacionadas aos ambientes marinhos e costeiros e os princípios da Ocean Literacy, termo que pode ser traduzido como Alfabetização Oceânica. "Uma pessoa alfabetizada no oceano (termo usado aqui no singular porque, como princípio da Alfabetização Oceânica, o oceano é um só) entende as influências que o oceano exerce sobre nós, bem como nossas influências (diretas ou indiretas) sobre o oceano”, diz Natalia.

Segundo Flavio Augusto de Souza Berchez, professor da Universidade de São Paulo e também organizador do volume, “inúmeras ações relativas à proteção do meio ambiente vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos no litoral brasileiro, entretanto, uma EA multiplicadora, permanente, crítica e transformadora deve ter, como premissa, bases conceituais e operacionais adequadas, desde a concepção da proposta educativa, sua aplicação e sua avaliação por meio de projetos de pesquisa”.

“Conceitos relativos às novas pedagogias, como educação baseada em fenômenos, tecnologias digitais para aprendizagem, abordagens como ciência cidadã ou educomunicação, aprendizagem social ou transdisciplinaridade, bem como a contextualização do estado da arte em diferentes situações e locais, por exemplo, são direcionamentos importantes para quem pretende desenvolver ações de EA nas unidades de conservação marinhas. Da mesma forma, a instrumentalização para uma avaliação científica da eficiência do modelo aplicado é essencial”, analisa Flavio.

Segundo Natalia, a obra poderá ser utilizada pelos educadores ambientais para o planejamento, execução e avaliação de ações de EA nos ambientes marinhos e costeiros. No planejamento, destaca a aprendizagem social e o pensamento sistêmico; conceitos como transdisciplinaridade, aprendizagem baseada em fenômenos e integração da tecnologia ao ensino e exemplos de materiais instrucionais desenvolvidos para apoio às ações de EA em/sobre ambientes marinhos e costeiros. Em relação à execução, o volume traz exemplos de ações bem sucedidas em EA no Brasil, em diferentes espaços de ensino, relatando os desafios que enfrentam para a sua continuidade e as dificuldades relacionadas à falta de financiamento, recursos humanos e formação para a implementação de ações de EA nas Unidades de Conservação Marinhas brasileiras, destacando a importância da promoção de atividades de interpretação ambiental e a participação pública através de ações de ciência cidadã para a produção e gestão compartilhada do conhecimento. Considerando a avaliação, o livro aborda de maneira detalhada as possibilidades de concepção, acompanhamento e melhoria continuada das ações de EA por meio de projetos de pesquisa que envolvam bons instrumentos de coleta de dados, bem como métodos de análise de dados.

Assim, utilizando exemplos de diferentes regiões do Brasil e na maioria dos seus ecossistemas marinhos, vinte pesquisadores do GT-EA, representando os estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, estão envolvidos nesta obra, que teve cerca de dois anos de elaboração, desde sua concepção até a publicação. Pioneira em língua inglesa, a publicação possui circulação internacional, especialmente pelo seu caráter de direcionamento conceitual, focado em pedagogias e técnicas emergentes.

Por fim, o livro, que deverá ser publicado na versão e-book, poderá ser utilizado pelos tomadores de decisão ou formuladores de políticas públicas, uma vez que aborda as legislações brasileiras, que podem ser aplicadas aos ambientes marinhos e costeiros, e destaca a falta de uma política exclusivamente direcionada à EA nos Ambientes Marinhos e Costeiros.

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